Catalo um municpio brasileiro do estado de Gois. Localiza-se latitude 18 9' 57" sul e longitude 47 56' 47" oeste e altitude de 835 metros. Sua populao segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) 2016, de 100 590 habitantes e seu PIB recenseado em 2008 de mais de 4,348 bilhes de reais [5] e o coloca como a terceira maior economia de Gois naquele ano. Possui rea de aproximadamente 3778 km. Tambm d nome ao distrito sede do municpio (os outros dois so Pires Belo e Santo Antnio do Rio Verde) e a uma microrregio do Estado de Gois, formada pelos municpios de Catalo, Ipameri, Ouvidor, Trs Ranchos, Davinpolis, Goiandira, Cumari, Nova Aurora, Anhanguera e Corumbaba.

Perodo pr-Colombiano

No se conhece ao certo h quanto tempo iniciou-se a ocupao humana nas terras do atual municpio de Catalo. Sabe-se, contudo, que a regio onde se situa o mesmo era habitada por dois grupos de indgenas no incio do sculo XVIII : nas reas atualmente correspondentes aos distritos de Catalo e Pires Belo, habitavam os Caiap, muito provavelmente os mesmos que so hoje conhecidos como Panar e que atualmente habitam o Mato Grosso. Esses indgenas eram seminmades e de se supor que conheciam a agricultura da abbora, mandioca, milho e amendoim, pelo menos.

J na regio do atual distrito de Santo Antnio do Rio Verde no certo que viviam os caiaps do sul, tendo sido aventada a possibilidade de haverem vivido nesta rea um grupo genericamente conhecido como carijs,[6] que foram mais tarde levados pelos portugueses para uma reduo (local onde os colonizadores reuniam os ndios para catequiz-los) nos atuais municpios de Vazante, Paracatu ou Guarda-Mor. H tambm a hiptese que afirma que os ndios da chapada divisora das bacias do Paranaba e So Francisco (como o caso do Chapado de Catalo) pudessem ser os Araxs[7][8] ou mesmo os Cariris,[9] se bem que a regio estivesse prxima a aldeia de Itapiraaba, dos ndios caiap do sul.[10] Seja como for, o certo que, ao contrrio das reas planlticas e repletas de veredas frteis do oeste e sul do municpio, sabida e longevamente ocupadas por caiaps do sul, a regio da chapada, no nordeste do municpio, deveriam ser reas de passagens para vrias tribos, at por que, no apresentavam condio de cultivo para tribos sedentrias, embora fossem muito provavelmente fartas em animais para pesca e sobretudo, caa, dadas estas mesmas condies.

Perodo colonial

Embora desde 1580 expedies portuguesas tenham visitado as terras que hoje correspondem a Gois, a referncia histrica mais antiga sobre a ocupao do atual territrio catalano refere-se ao ano de 1728, e pode ser encontrada na obra Histria de Gois em Documentos, cuidado para no se confundir com Catalo (Espanha), de autoria do filsofo e historiador hispano-brasileiro Luis Palacn Rodrguez. Neste texto h relatos da poca sobre a existncia de um certo stio do Catalo, sendo que este era supostamente um clrigo originrio da Catalunha que acompanhou o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, em sua bandeira e que possivelmente deveria estar, j por esta data, residindo na rea que daria origem ao municpio, portanto, desde 1722, j que foi neste ano que a referida bandeira entrou nas terras que viriam a ser Gois. Como em 1736, Dom Antnio Lus de Tvora, filho do primeiro conde de Alvor e esposo da quarta Condessa de Sarzedas, para cumprimento de ordens reais, veio ao territrio goiano e mencionou a existncia do dito stio, fica bastante evidente a existncia de povoamento em Catalo.

A segunda referncia histrica mais antiga sobre o "Stio de Catalo" foi escrita pelo primeiro historiador de Gois, o padre Lus Antnio da Silva e Souza, em seu texto O descobrimento da Capitania de Goyaz, em 1812. Ele discorre sobre o assassinato do capito de uma companhia militar que veio de Minas Gerais, aps ter tido uma desavena com o Domingo Rodrigues do Padro, genro de Bartolomeu Bueno da Silva, O Anhanguera filho. Isso deve ter ocorrido entre 1732 e 1736. [11][12]

relevante destacar que a expresso "stio", poca, tinha um significado bem mais amplo, remetendo de maneira mais conforme expresso latina situ, que a originou. Neste sentido, stio era mais que uma propriedade, era um lugar habitado. De toda forma, no stio do Catalo conta-se haver estabelecido um certo clrigo de origem catal, o qual, muito provavelmente em companhia de outras pessoas, produzia vveres para os bandeirantes que iam para as minas de ouro mais ao centro da ento capitania de Gois. Era Catalo, ento, centro de abastecimento das bandeiras e da gente que viria a ocupar Gois. Desta forma, Catalo um dos nicos municpios de Gois, alm de Formosa (Arraial dos Couros - 1749) cuja povoao iniciou-se antes de 1800 que no surgiu em funo da existncia de ouro.

Perodo imperial

Em 1824 o arraial de Catalo tinha dezoito casas e uma igreja ou capela, segundo estatstica feita neste ano pelo brigadeiro Cunha Matos. Todavia, a pequena urbe deveria ser maior, j que por "casa" se entendia apenas as construes de alvenaria, se ignorando os "ranchos", feitos de pau-a-pique e recobertos por folhas de coqueiros, em especial o babau. Em 1828, j havia um povoado na regio com o nome de sempre. Este povoado, em 1833, foi elevado condio de municpio e, sua sede, de vila, desmembrando-se de Santa Cruz. Na dcada de 1830, era conhecida por ser uma regio prspera, mas tambm era muito violenta. A violncia no era por disputa de terras nem crimes e sim pelas disputas pessoais ou decorrentes de crimes passionais.

No ano de 1850, Catalo tornou-se sede da Comarca do Rio Paranaba, a qual abrangia tambm os atuais municpios de Ipameri e Corumbaba,[12] deve se destacar que por volta dessa poca, o municpio fazia parte de duas rotas comerciais que vinham da Corte para o Estado de Gois, uma provindo de Uberaba e outra de Arax. Em 20 de agosto de 1859, a vila tornou-se cidade e, em 1868, foi criado o primeiro mercado pblico no municpio.[13] Panoramas do que era a vida em Catalo em meados do sculo XIX podem ser encontrados na obra de Bernardo Guimares, O ndio Afonso[14][15]

Em fins do sculo XIX, possua de 190 a 200 casas e pouco mais de mil habitantes. Em 1892, figurava em quarto lugar em arrecadao do Estado; com a aproximao da estrada de ferro, nesta dcada, pelo Tringulo Mineiro, chegando at o municpio de Araguari (Minas Gerais), passou para primeiro lugar. O coronelismo j havia adquirido forma definida no comeo da dcada de 1860. Era a poca do domnio do coronel Roque Alves Azevedo, que contava com o apoio unnime da Cmara Municipal. No se sabe nem como nem quando, o coronel Roque deixou de ser chefe poltico, mas por volta dos fins de 1860 comea a ascenso de Antnio Paranhos condio de lder mximo da comunidade; tambm nesta dcada, foi juiz em Catalo Bernardo Guimares, o qual inclusive publicou em uma de suas obras (O Ermito de Muqum) a histria de personagens baseados em tipos humanos que ele viu na comarca.

importante destacar que o municpio de Catalo era, j na dcada de 1880 o mais populoso do Estado de Gois (posto que a cidade s alcanaria no censo de 1920), o que de certa forma reflete o dinamismo econmico do mesmo. Todavia, lcito recordar que, ao municpio de Catalo correspondiam todos os municpios que atualmente esto na regio do mesmo nome, alm de Uruta, embora essa observao tambm valha para os demais municpios de Gois por esta poca, visto que todos eles sofreram desmembramento, sendo a esta poca, pois, bastante maiores que atualmente.


Perodo republicano

Nos primeiro anos do sculo XX, Catalo era fornecedora de gado e charque para as regies produtoras de caf. Na dcada de 1910, com a chegada da ferrovia, o municpio, que passara a vender tambm arroz e feijo para as regies cafeicultoras e se torna o mais rico municpio do Estado de Gois, alm do mais populoso do Centro-Oeste, com 34.524 habitantes.[16] Todavia, a transferncia da capital estadual para Goinia, urdida por Pedro Ludovico Teixeira na dcada de 1930; a transferncia da capital nacional para Braslia, na dcada de 1960 e a modernizao da economia de Uberlndia, nas dcadas de 1970 e 1980, por deslocarem o centro econmico da regio, fizeram a importncia do municpio declinar sensivelmente. Somente a descoberta e posterior explorao de minrios no Domo Ultramfico Alcalino de Catalo I e no Domo Ultramfico Alcalino de Catalo II, em especial nibio e fosfato, do novo alento economia catalana que volta a se desenvolver. Nova crise surge no comeo da dcada de 1990, com a privatizao da Goiasfrtil (hoje Fosfertil) pelo governo federal e a perda de competitividade do fosfato nacional. No entanto, a forte industrializao do municpio, motivada por polticas estaduais de incentivos fiscal, a partir da segunda metade da dcada de 1990, torna a economia catalana, em 2005, a terceira mais importante de Gois, conquistando um lugar importante, sendo apenas a 16 mais populoso do estado.

Culturalmente o municpio tambm renasce, com a valorizao por parte da mdia das Congadas, a reforma de patrimnios histricos, como a Igreja de So Joo, a construo de museus, bibliotecas e de um centro cultural. No campo da educao, o municpio, que fora o primeiro do interior a contar com uma escola regular e o primeiro do Estado a ter uma escola pblica, torna-se na dcada de 1980 o primeiro do interior a contar com um campus da Universidade Federal de Gois;[17] na mesma dcada, instala-se o ensino profissional, com unidades de ensino do SENAC e do Senai, co-responsveis pelo alto ndice de qualificao profissional do municpio. Em meados da dcada de 2000, bem servida por hospitais, escolas, universidades, transportes, telecomunicaes e com uma das economias mais fortes do Estado de Gois,[18] estando entre os primeiros nos setores industrial,[19] agro-pecuarista, comercial[20] e de extrao mineral,[21] alm de ter sua cultura e tradies nacionalmente reconhecidas,[22] e polticas de integrao social, cultural e tecnolgica, Catalo se consolida como um dos mais importantes municpios goianos. Com cerca de 23 km de rea urbanizada[23] o municpio considerada um centro urbano regional isolado de nvel 3 pelo IBGE.

Em 1810, um fazendeiro chamado Antnio Manuel cedeu um lote de suas terras para a construo da igreja de Nossa Senhora Me de Deus. Este foi movido no s pela devoo, mas tambm pelo interesse de atrair moradores para a regio e valorizar suas terras. Nesta igreja comearam a celebrar festas religiosas; surgem ento ao redor da igreja armazns e vendas, dando incio a um comrcio e, com isso, um povoado, que posteriormente se torna arraial, vila e cidade.

Estrutura administrativa e demogrfica


Catalo conta com dois principais e importantes prdios administrativos: o Palcio Pirapitinga (local do poder executivo) e a Cmara Municipal de vereadores (local do poder legislativo) que conta atualmente com 17 parlamentares. O municpio de Catalo dividido em trs distritos: Catalo, que o distrito sede, Pires Belo e Santo Antnio do Rio Verde. H tambm dois povoados que estiveram quase extintos: Pedra Branca e Olhos D'gua. Todavia, estes apresentam atualmente possibilidade de fugir ao topocdio, j que vm sendo construdos no local muitos ranchos para pescaria. Em relao populao rural, h trs situaes distintas: no Chapado de Catalo, onde predomina a agricultura extensiva, a densidade demogrfica menor e a concentrao fundiria, significativa; no sudeste do municpio, ainda no distrito de Santo Antnio do Rio Verde, predominam propriedades de mdio e grande porte e pecuria de corte e; na poro ocidental do municpio, em reas dos distritos de Catalo e Pires Belo, predominam a agropecuria familiar. Nesta poro do territrio catalano a densidade demogrfica maior e a concentrao fundiria, menor.

Fonte: Wikipedia

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